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A Cultura Popular de Pernambuco encontra no Mamulengo um dos seus mais expressivos trabalhos de artes cênicas em interação com a plateia. É praticamente impossível estar diante de um trabalho de teatro de bonecos, o nosso mamulengo, e não interagir com as figuras que naturalmente nos envolve no “brinquedo do faz de conta”, independentemente das faixas etárias e de outras particularidades de cada indivíduo do público presente. O catálogo aponta esse e outros fatos curiosos do brinquedo e está sendo distribuído para Centros Culturais, Bibliotecas, assim como para pesquisadores, escolas de Artes Cênicas e grupos de teatro de bonecos de todo o Brasil, no intuito de divulgar nossos artistas e abrir espaços e mercado de trabalho para eles, lembrando que o Mamulengo é Patrimônio da Cultura Brasileira.
O Catálogo do Mamulengo Pernambucano, patrocinado pelo Funcultura, com produção cultural de Alexandre Albuquerque, é ilustrado com fotos assinadas por Alexandre Albuquerque e Hans von Manteuffel, com texto de Romildo Moreira, contando com a assessoria e entrevistas conduzidas pelo ator e mamulengueiro Fábio Caiu. Este catálogo reúne dezessete mamulengueiros em atividades tais como: criação e apresentação de espetáculos, criação e feitura de bonecos e figuras do mamulengo, assim como o ensino da arte do teatro de bonecos para novas gerações. Entre eles destacamos o Mestre Zé de Vina, da cidade de Lagoa de Itaenga; Mestre Zé Lopes, da cidade de Glória do Goitá; Sebá, de Caruaru; Fernando Augusto, de Olinda, entre outros.
O segundo lançamento do Catálogo do Mamulengo Pernambucano acontecerá na cidade de Olinda, contando com atividades dos artistas presentes, assim como exposição e venda de bonecos e outras curiosidades oferecidas pelo Museu do Mamulengo, instalado no Mercado Eufrásio Barbosa, no bairro do Varadouro. Na ocasião, o Mestre Miro, de Carpina, fará uma apresentação do seu trabalho para o público presente.
II Lançamento do Catálogo do Mamulengo Pernambucano
Local: Museu do Mamulengo no Mercado Eufrásio Barbosa – Olinda PE.
Dia: 20 de agosto, às 10h
Fonte:
Solenidade promovida pelo Governo de Pernambuco também premiou os vencedores do 4º Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural
Jan Ribeiro/Secult-PE
Os seis novos Patrimônios Vivos de Pernambuco foram eleitos pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CPPC), no último dia 10 de julho
O Governo do Estado de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura e Fundarpe, realizou nesta sexta-feira (16), no Teatro de Santa Isabel, no Recife, a entrega dos prêmios dos vencedores do 4º Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural, além da titulação dos seis novos Patrimônios Vivos do Estado (PV). Participaram da solenidade – uma comemoração ao Dia Nacional do Patrimônio Histórico, celebrado oficialmente no próximo sábado (17) – diversas autoridades e PVs registrados, que puderam assistir também, ao longo da cerimônia, às apresentações da Tribo Indígena Carijós do Recife, do Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira, do Mestre Nado e do Mestre Calixto. A iniciativa integrou a programação da 12ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, promovida pela Secult-PE/Fundarpe.
Participaram da solenidade: Renata Duarte Borba, superintendente do Iphan; Silvio Amorim, presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. José da Costa Carvalho, representando a família de Ayrton Carvalho de Almeida; Leda Alves, secretária de Cultura do Recife; Marcelo Canuto, presidente da Fundarpe; e Gilberto Freyre Neto, secretário de Cultura de Pernambuco, além dos prefeitos de Ouricuri e de Nazaré da Mata.
Jan Ribeiro/Secult-PE
Solenidade também serviu para a entrega dos prêmios dos vencedores do 4º Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural
“Represento aqui hoje o governador Paulo Câmara, que não está presente porque participa da escuta do Todos por Pernambuco, no Sertão do Estado. Mas trago uma mensagem de muito respeito aos mestres e mestras, agraciados ou não, que são a base da cultura pernambucana. Vocês são nossas bússolas e faróis na busca por direções que nos levem ao reconhecimento da importância da cultura. Que a gente possa ter nisso a referência do que é ser pernambucano”, celebrou Gilberto Freyre Neto.
Para Marcelo Canuto, todos os gestores que ali compunham a mesa são parceiros na gestão pública e dividem o desafio que o Brasil vive. “É muito animador nos reunirmos aqui para valorizar a cultura pernambucana. O reconhecimento do Patrimônio Vivo é, acima de tudo, valorizar, proteger e promover os mestres que possuem tanto valor cultural”, disse o gestor.
Jan Ribeiro/Secult-PE
O secretário Gilberto Freyre Neto esteve na solenidade representando o governador de Pernambuco, Paulo Câmara
Receberam o 4º Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural de Pernambuco os seguintes projetos: na categoria Formação, Clube Carnavalesco Mixto Seu Malaquias (1º lugar) e Cinema no Interior (2º lugar); na categoria Acervo Documental e Memória, Real Hospital Português (1º lugar) e Fundação Cultural Cabra de Lampião (2º lugar); e na categoria Promoção e Difusão, Canal Babau: Salvaguarda do Mamulengo Pernambucano (1º lugar) e Contos de Ifá (2º lugar). Cada um dos vencedores receberá um incentivo no valor de R$ 20 mil (primeiros lugares) e R$ 10 mil (segundos lugares).
Nessa quarta edição, foram inscritos 34 projetos, dos quais 21 da Região Metropolitana, 3 do Agreste e 9 do Sertão. Além dos vencedores, a comissão, também fez menções honrosas às seguintes iniciativas: Educação para Museus (Formação), Reorganização do Acervo Documental da Arquidiocese de Olinda e Recife (Acervo Documental e Memória) e XIII Kipupa Malunguinho (Promoção e Difusão).
Jan Ribeiro/Secult-PE
Wagner Porto Cruz, do Canal Babau, falou em nome de todos os premiados sobre a importância desse prêmio
Wagner Porto Cruz, do Canal Babau, falou em nome de todos os premiados sobre a importância desse prêmio. “Acredito que mais uma vez Pernambuco cumpre um papel histórico de mostrar ao país como se faz política cultural e de como é possível avançar nesse sentido. Agradeço a todos os que fazem esse prêmio acontecer e a todo mundo que está na batalha pela cultura popular do Estado”, disse o mamulengueiro.
Patrimônios Vivos – Eleitos pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CPPC), no último dia 10 de julho, os seis novos Patrimônios Vivos de Pernambuco foram diplomados nesta sexta-feira (16), no Teatro de Santa Isabel. São eles: Mestre Saúba (Brinquedos populares e mamulengos, de Jaboatão dos Guararapes); Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira (Nazaré da Mata); Mestre Aprígio (artesão do couro, de Ouricuri); Mestre Nado (artesão de instrumentos musicais feitos de barro, de Olinda); Mestre Assis Calixto (mestre de coco, de Arcoverde); e Tribo Indígena Carijós do Recife (Caboclinho, do Recife).
Em sua fala, Aramis Macedo, presidente do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural, ressaltou “que a entrega do Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho e do Patrimônio Vivo só é possível por conta de uma política pública implementada há vários anos no Estado, em prol da cultura pernambucana e que tem sido cada vez mais aprofundada. Somos o primeiro estado a estabelecer uma política como essa e é o que mais investe nos seus patrimônios registrados”.
Jan Ribeiro/Secult-PE
“Somos o primeiro estado a estabelecer uma política como essa e é o que mais investe nos seus patrimônios registrados”, ressaltou Aramis Macedo, presidente do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio
Este foi o 14º Concurso do Registro do Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco – RPV-PE, realizado pelo Governo de Pernambuco, com o objetivo de reconhecer, estimular e proteger iniciativas que contribuem para o desenvolvimento sociocultural e profissional dos mestres e das mestras e grupos de notório saber. Os vencedores passam a receber bolsa vitalícia de R$ 1.600 (um mil e seiscentos reais), no caso de pessoa física, e R$ 3.200 (três mil e duzentos reais) no caso de grupos, pessoas jurídicas.
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O Coco Raízes de Arcoverde, ao lado de Assis Calixto, também se apresentou durante a cerimônia
Nos últimos dois anos, a Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco obteve significativos avanços. Em 2017, 13 municípios pernambucanos participavam da iniciativa. Em 2019, esse número subiu para 30. Além disso, em 2018, o projeto recebeu o Prêmio Melo Franco de Andrade, entregue às ações de preservação do patrimônio mais importantes do país.
Mestre Saúba revelou que essa era uma das horas mais esperadas da sua vida. “É a minha maior honra, e eu sonhava com isso. Se eu trabalhava com amor, agora vou trabalhar dobrado. E trabalha para ensinar aquelas crianças que não sabem da brincadeira, nas famílias e nas escolas. A gente não quer que o artesanato seja perdido, ele tem que ser apurado”, comemorou o novo Patrimônio Vivo.
Anderson Santos subiu ao palco do Santa Isabel representando seu irmão, o Pai Jefferson Nagô (in memoriam), responsável pela reativação do Caboclinhos Carijó. “Em 2011, meu irmão reativou a mais antiga tribo de caboclinhos do Recife, que é o Carijós, e prometo que nós nunca mais vamos deixar esse legado acabar”.
Jan Ribeiro/Secult-PE
Quem também se apresentou no Santa Isabel foi o Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira
Mestre Aprígio com suas poucas palavras deixou registrado sua emoção e que acreditava que o povo de Ouricuri, sua terra natal, estava mais feliz ainda. Também com poucas palavras, Mestre Nado agradeceu ao título e cantou uma música sua, a “Ciranda para todos”.
Edilamar Cambinda Brasileira, presidente do maracatu, comentou que estava muito honrada por receber este título. “Foi uma batalha muito grande recebê-lo. Nós participamos desde a primeira edição e pra mim é uma honra estar aqui recebendo essa premiação. São 101 anos de história levando o nome de Pernambuco para o mundo”, destacou.
Por fim, Assis Calixto lembrou da missão à frente do grupo Coco Raízes de Arcoverde e de seu trabalho como artesão. “Meu trabalho é nas escolas e nunca pensei que ganharia um prêmio, porque eu fazia por vontade de levar o coco arcoverdense para as crianças e novas gerações. Estou muito satisfeito com meu trabalho”, disse o mestre.
Além dos titulados, os Patrimônios Vivos presentes na solenidade foram Mestre Galo Preto, Maestro Formiga, Índia Morena, Associação Musical Euterpina, Dedé Monteiro, Caboclinho Canindé, Didi do Pagode, Clube de Boneco Seu Malaquias, Dona Prazeres, Canhoto da Paraíba, Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, Cristina Andrade e Mestre Chocho.
Fonte:
http://www.cultura.pe.gov.br/canal/patrimonio/novos-patrimonios-vivos-de-pernambuco-sao-titulados-no-teatro-de-santa-isabel/
Evento promovido pela Secult-PE/Fundarpe contou com a presença de 70 professores da rede pública estadual
Jan Ribeiro/Secult-PE
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| A Capoeira, Patrimônio Imaterial do Brasil (IPHAN) e Patrimônio da Humanidade (UNESCO), foi um dos patrimônios imateriais tratados durante o Seminário |
Numa parceria com a Secretaria Estadual de Educação (SEE), a 12ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, promovida pela Secretaria de Cultura e Fundarpe, realizou nesta última quarta-feira (14), no Memorial da Medicina (Recife), o IV Seminário de Educação Patrimonial – que este ano teve como tema “Práticas Educativas e Patrimônio Imaterial: saberes e diálogos”. A conferência de abertura foi feita pelo professor Dr. Hugo Menezes Neto (UFPE), na presença de 70 professores da rede pública, com a proposta de levantar questões sobre como abordar a educação patrimonial em sala de aula.
“O Seminário de Educação Patrimonial é a culminância de todo um trabalho que a Unidade de Educação Patrimonial da Fundarpe faz ao longo do ano. A ideia é estimular os professores para que esse trabalho não seja algo pontual, mas contínuo”, explica Amanda Paraíso, coordenadora de Educação Patrimonial da Fundarpe.
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Hugo Menezes é vice-chefe do Departamento em Antropologia e Museologia, e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPE
Hugo Menezes é vice-chefe do Departamento em Antropologia e Museologia (DAM), e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É também Doutor em Antropologia pela UFRJ e dedica-se a pesquisas nas áreas de Cultura Popular, Patrimônio Imaterial, Antropologia Urbana e Antropologia Visual, entre outros assuntos.
Na ocasião, Hugo Menezes apresentou uma conferência intitulada “O Patrimônio e a desobediência epistêmica”. “Minha proposta é partir de uma lógica que seja desobediente a uma visão eurocêntrica. A ideia de valor patrimônio foi desenvolvida ao longo do século XX e em determinado momento houve uma escolha feita pelos governantes, ligados à elite brasileira”.
Jan Ribeiro/Secult-PE
Conversa com os professores teve a proposta de levantar questões sobre como abordar a educação patrimonial em sala de aula
Dentre alguns exemplos de concepção do que é patrimônio, o professor citou a cultura ianomâmi, na qual todos os bens de um ente falecido são destruídos. “O que é guardado são as narrativas sobre aquela pessoa, repassadas de geração em geração”.
“A educação patrimonial é uma garantia de direitos, deve ser emancipadora e desobedecer a essa lógica, ainda mais num no nosso país onde existem patrimônios dos mais diversos, de origem indígena e africana”, concluiu o professor, que depois conversou com os professores sobre o tema.
Jan Ribeiro/Secult-PE
Durante o Eixo 1, que tratou da capoeira, a apresentação trouxe um dos aspectos mais importantes deste patrimônio imaterial, que é a música
Após a conferência, o grupo foi dividido em duas turmas, que discutiram dois eixos temáticos: (1) Educação e ações de salvaguarda; (2) Racismo, antirracismo e as manifestações culturais. O Eixo 1 contou com a participação da professora Drª Izabel Cordeiro, mais conhecida como Mestra Bel, e Ricardo Pires, o Mestre Mago, ambos do Centro de Capoeira São Salomão.
A apresentação trouxe um dos aspectos mais importantes da capoeira, que é a música. “É nesse ambiente que contamos histórias antigas, de luta e de dor, e levamos essa poesia para vários lugares. Quando falamos da capoeira falamos da herança de povos que vieram escravizados para o Brasil”, disse Mestra Bel. A Capoeira é Patrimônio Imaterial do Brasil pelo IPHAN e Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
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Quem também participou do Seminário foi o babalorixá Pai Ivo Xambá, representante da Nação Xambá, Patrimônio Vivo de Pernambuco
Já o eixo 2 teve a presença do mestrando do Programa de Pós graduação em Educação da UFPE, Emerson Nascimento e o babalorixá Ivo de Xambá. Para Pai Ivo da Xambá, representante da Nação Xambá, Patrimônio Vivo de Pernambuco, é importante que se discuta com profundidade em sala de aula a história e a cultura do povo negro brasileiro. “Mandela já dizia: ninguém nasce racista, é a sociedade quem constrói isso. Se dentro do ambiente escolar a gente quebrar essa ideia, vamos conseguir mudar esse quadro”.
O IV Seminário de Educação Patrimonial contou ainda com uma exposição de banners da EREM José Vilela, coordenado pelo professor Anselmo Cabral com o tema “Patrimônio Imaterial de Pernambuco: pesquisas históricas e afetivas em torno dos nossos saberes e fazeres”.
Jan Ribeiro/Secult-PE
O Seminário também contou com a mostra “Patrimônio Imaterial de Pernambuco: pesquisas históricas e afetivas em torno dos nossos saberes e fazeres”, elaborada por estudantes da rede pública do estado
Rede de Educadores Patrimoniais de Pernambuco – De acordo com Amanda Paraíso, em maio deste ano foi criada a Rede de Educadores Patrimoniais de Pernambuco, numa parceria entre a Secult-PE/Fundarpe, SEE e Iphan. Na ocasião, professores representantes de cada Gerência Regional de Pernambuco participaram de uma formação para estimular um trabalho contínuo sobre o tema em sala de aula. Alguns educadores envolvidos nesta Rede participaram do Seminário e vão realizar, ao longo deste segundo semestre, uma série de atividades com seus alunos.
Fonte:
http://www.cultura.pe.gov.br/canal/patrimonio/iv-seminario-de-educacao-patrimonial-discute-alternativas-para-o-ambiente-escolar/












